sábado, 14 de maio de 2011

LínguA PresA

Quem me conhece sabe, eu falo tanto, que parece que a minha língua tem vida própria. Ela fala quando deveria calar e, nos raros momento em que cala, deveria falar, e, normalmente, falar muito. Deveria, por quê? Porque para falar aquilo que as pessoas querem ouvir, somos livres, mas ao falar aquilo que elas não gostariam de ouvir e, por isso, que nós não deveríamos ver ou perceber, acabamos enfrentando sérios problemas.

Fiz uma descoberta: a minha lígua não é livre, embora ela ignore completamente este fato e saia por aí dizendo "asneiras", numa enxurrada de letrinhas que, na maioria das vezes não agrada.

A minha língua possui conexão direta com o meu cérebro, nem sempre tenho forças para intervir nesta relação tão imediata, que chega a ser praticamente simultânea, intensa e contínua.

Pergunto: seria melhor não pensar? Humm...melhor pra quem? Não sei... Talvez nós - eu e a minha língua - tivéssemos menos problemas se meu cérebro não fosse tão ativo. Mas a Minha língua praticamente reflete toda a minha atividade cerebral, e ela é intensa (ambas)...

Talvez, também, fosse melhor não fazer tal pergunta, uma vez que é provável que eu (meu cérebro e a minha língua, numa dinâmica interação) não gostemos de saber a resposta, uma vez que pode não nos convir...


O fato é que para eu e a minha lígua sermos o que somos, é necessário que meu cérebro seja livre, que ele pense livremente, e sem preconceitos, o mundo que lhe chega pelos sentidos e não sei pelo quê mais... Meu pensamento é livre, mas, de fato é adequado ter o pensamento livre, com uma língua também livre, em uma sociedade cheia de preceitos e preconceitos, na qual, literalmente, "tudo que você disser poderá ser usado contra você no tribunal"? Acho que eu e minha língua e, para o meu bem, o meu pensamento "tem o direito de permanecerem calados". "E agora, José?", como diria o poeta...

Provavelmente, melhor seja que nenhum dos meus polêmicos e hiperativos órgãos não manifestem qualquer pretensão de realizar ato tão superior (o pensamento e a expressão deste, com o direito de recriar e reinterpretar  a realidade em seus moldes), pois pode ser nocivo a minha vida social e até profissional...

NÃO SOU LIVRE PRA PENSAR? Não. Alguém o é? Tenho esperanças!!
Mas isto não diz respeito a minha língua, que é apenas um órgão executor, que adora dar uma de doida e se descontrolar...meio que chutar o pau da barraca, ou cerrar as grades do pensamento, para que ele flua livre e sem amarras. É pena que ela manifeste rebeldia demais, coisa que é conveniente ao pensamento, sem chegar a sua expressão de fato, ou pelo menos à expressão verbal.

Será que, um dia, terei minha língua cortada? Pode ser que fique mais amena. Mas espero, verdadeiramente,  que o  pensamento flua cada vez mais intenso, repleto de novas possibilidades, diante da nossa clichê, porque aprisionada, realidade.

Um comentário:

  1. Nathália, que bom que soube do teu blog. Li as postagens de maio e a de primeiro de janeiro. Me surpreendi um pouco com o grau em que você tem sofrido com os padrões idiotizantes impostos por nossa sociedade. Torço pra que tu consiga manter a saúde enquanto se adapta um pouco, sem se trair. Tou nessa também. Passei a te seguir hoje. Ah, e adorei aquele blog Língua Presa! Abraço!

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